Estatísticas na mídia

Todo mundo que me conhece sabe que eu gosto de matemática, ou números em geral, e por isso fico impressionado com essas “estatísticas” que são colocadas no noticiário de vez em quando. Impressionado pela falta de análise e alarmismo que as notícias imprimem aos números, fazendo o povão, que mal sabe quanto é 7×8, pensar conforme eles querem, manipulando os números com palavras.

Um exemplo, que surgiu esses dias, foi da quantidade de multas distribuidas no Paraná durante o ano de 2013 (clique na imagem para ver a matéria):

Estatística de multas

Tenho 3 pontos a destacar aqui que mostram como algumas informações são óbvias (tão óbvias que sequer mereceriam destaque) e outras são manipuladas:

1)- O volume de multas de trânsito aplicadas no Paraná aumentou cerca de 10% entre 2012 e 2013.

A própria matéria informa que “Em julho do ano passado, o Paraná tinha 5,6 milhões de veículos em circulação e, em julho deste ano, passou para 6 milhões.”, respondendo à própria estatística, pois a taxa média de emissão de novas CNHs no Paraná é de cerca de 30.000 por mês (com um aumento considerável próximo ao final do ano), o que leva a crer que foram emitidas 360.000 CNHs no ano passado (renovações e mudanças de categoria não contam); já o emplacamento de veículos novos foi de 278.575 de janeiro a setembro de 2013. Com esses dados, queriam mais o quê? Somente com muita conscientização e educação, começando láááá no ensino fundamental, é que seria possível reduzir esses números com o aumento da frota nesse nível!

2)- Mais da metade foi aplicada nas sete maiores cidades do estado

OK, mas qual é mesmo o percentual da população destas sete maiores cidades com relação ao restante do estado? Não seria surpresa se a resposta a essa pergunta fosse “mais da metade”. Tá certo, Senhor Óbvio!

3)- Desrespeito à velocidade máxima é a infração mais comum no estado

Aqui está um ponto que eu gostaria de ressaltar. Vejam as 3 infrações que mais geraram multas:

– Transitar com velocidade superior à máxima permitida em até 20%;
– Estacionamento irregular;
– Avançar sinal vermelho.

Ora, a primeira e a terceira são praticamente 100% eletrônicas, feitas por meio de radares instalados em postes e semáforos; não precisa de agentes nesse tipo de caso, a precisão dos equipamentos é altíssima e são centenas de radares espalhados no estado! Gostaria de saber o que aconteceria com esses números se todos os radares fossem desativados… Já o segundo caso, o assunto é um dos poucos tratados com seriedade pelo poder público, que disponibiliza um sem-número de agentes para multar o pessoal que estaciona irregularmente e principalmente sem o cartão do EstaR, que é o estacionamento regulamentado e rotativo.

No meu ponto de vista, além do excesso de velocidade e furar sinal, tanto a conversão proibida quanto o não uso do pisca deveriam ser tratados com muito mais seriedade do que o EstaR, uma vez que envolve a segurança de condutores e pedestres. Há diversos pontos críticos só aqui em Curitiba que todo mundo sabe que são fontes de diversos tipos de irregularidades, porém aparentemente são ignorados pelas autoridades, pois nunca vejo agentes nestes locais coibindo práticas perigosas como as conversões proibidas (e consequentemente as conversões obrigatórias não respeitadas), parada irregular e não uso do pisca. O ponto é exatamente este: o número de multas para esses casos é menor porque simplesmente não há fiscalização, simples assim, o que obviamente acentua as multas (automáticas) por excesso de velocidade e ultrapassar sinal vermelho. Não que aquelas sejam as mais cometidas, mas são as mais fiscalizadas e registradas.

Outro tipo de estatística tendenciosa é a questão dos acidentes nas estradas nos feriados, os quais a mídia costuma divulgar aos quatro ventos após os feriados devido ao aumento constante nos números; ambos os casos estão também intimamente relacionados com o aumento da frota e emissão de novas CNHs, basta ter um mínimo de raciocínio para ver que este aumento é natural, apesar de ainda alarmante. Mais uma vez, a única solução é a consientização desde cedo, pois não adianta apenas multar e prender quem já dirige de forma incorreta há anos.

Enfim, há diversos outros tipos de estatísticas manipuladas que eu poderia relacionar aqui, mas acho que essas duas já são exemplos suficientes para ilustrar o que eu quero dizer.

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