O futuro da nova geração e o sistema educacional brasileiro

Faz algum tempo que venho pensando em escrever esse texto. Refleti um pouco sobre as críticas que poderiam vir à seguir, especialmente da classe docente, já que tenho vários(as) amigos(as) professores, mas mesmo assim acho válido expressar minhas ideias e opiniões. Também deixo claro que acho o sistema educacional “brasileiro” falho, mas é bem provável que no mundo hajam outros países, inclusive de primeiro mundo, cujo sistema educacional possa ser tão ou até mais falho que o nosso, e pelos mesmos motivos, mas que desconheço. Enfim, chega de trololó e vamos ao texto:

Há tempos venho pensando que um dos maiores problemas atuais do mundo é a superpopulação. Tem gente demais na Terra. Muita gente para competir por recursos naturais, por moradia, por lazer, por trabalho, por tudo. Gente demais assim gera fila em tudo que é canto, congestionamentos diários (e com isso a necessidade por ampliar as vias de tráfego), necessidade por mais moradias (e com isso a expansão das cidades e suas regiões metropolitanas), e também a desigualdade, que traz consigo a violência, fazendo com quem é mais novo não tenha mais a liberdade que havia há 20, 30 anos atrás. É por essas e outras que eu tenho verdadeira pena de quem nasceu a partir de 2000, quem dirá quem está nascendo hoje ou virá a nascer nos próximos anos. Colocar um filho no mundo hoje, no meu ponto de vista, é uma questão que deveria ser de extrema responsabilidade e exercida com muita cautela, pois não tenho a menor esperança de que um dia as coisas venham a melhorar em uma visão macro. Um diálogo que ouvi esses dias e achei excelente:

– Você tem filho?
– Não, sou ecologicamente correto.

O que faz sentido, uma vez que vemos tanta gente falando em racionar água, economizar luz, reciclar materiais, e essas mesmas pessoas colocando pencas de filhos no mundo, como se estes não fossem consmuir muito mais água, luz e materiais do que qualquer um seria capaz de economizar durante uma vida inteira.

Professores ontem e hojeMas o que diabos esse discurso tem a ver com o sistema educacional? Pois é, tem tudo a ver. O primeiro ponto é a educação em si. Os pais se esqueceram que a função da escola é ensinar, e não educar, que são duas coisas completamente diferentes. Aí, quando os pais transferem a obrigação de educar para os professores, há uma inversão de valores que não deveria existir, e obviamente as coisas ficam precárias. O professor, que era o pilar da escola, passa a ser o agente dificultador, e a razão, que antes estava indiscutivelmente com ele, passa para o aluno, ainda mais em um país com leis falhas com direitos quase que totais para os menores. Geramos assim um sistema absurdo no qual o aluno sempre tem razão, criando verdadeiros monstros em sala de aula. Mas claro, a “culpa” dos pais por essa atitude é muitas vezes devido às cargas horárias do trabalho e a necessidade da mulher trabalhar fora para contribuir com a renda familiar, não sobrando tempo a perder” com os filhos. Logo, é mais fácil dar os filhos para os outros educarem (creches, escolinhas, babás, pais, avós, tios e parentes em geral), mas sem pensar nas consequências.

“Monstros em sala de aula”. Este é outro ponto crítico no sistema educacional hoje, que seria um dos aspectos mais importantes da escola, que é a convivência em sociedade, trazendo junto a divisão de tarefas, de ambientes e até mesmo de posses, especialmente no início da idade escolar. Ao meu ver, nesse aspecto, o que a escola ensina às crianças hoje é, por um lado, como fazer bullying, como ostentar ser mais que os outros e causar inveja e como “passar de ano” sem esforço (já incentivado pelo próprio sistema) e na base da malandragem, e por outro lado, como receber bullying de todas as maneiras possíveis e imagináveis, sendo física ou moral, independente da escola ser pública ou particular, reconhecida ou não, de alto padrão ou não. Uns tempos atrás ouvi uma conversa entre duas “madames”, que fizeram das tripas coração para colocar seus filhos em uma escola “de qualidade” (leia-se cara), mas que tiveram que tirar depois porque era simplesmente insuportável a convivência com os outros alunos. Claramente essas duas madames eram “emergentes” da classe média que tiveram que conviver com gente que já está na classe alta há muito mais tempo, e consequentemente com muito mais dinheiro e arrogância (pois a escola não se restringe à sala de aula, obviamente), o que as obrigou a voltar atrás e colocar seus filhos em escolas mais “simples”, do mesmo nível delas.

Voltando ao ensino em si, depois de passarmos pelo ensino superior acho que podemos ter uma visão mais crítica sobre o que foi lecionado durante esses 16 anos de escola. Muito do que é ensinado em sala de aula é pura “linguiça”, disso temos plena convicção. Não há um direcionamento vocacional desde o início da idade escolar para que alunos com determinadas aptidões recebam uma educação diferenciada dos que possuem outras aptidões, ou seja, fica todo mundo no mesmo bolo, como se fossem todos iguais, aprendendo coisas que muitas vezes vão ser completamente inúteis no futuro.

Falando em futuro, todo mundo cria filho hoje para “ser alguém na vida”, e isso por si só não é reprovável, muito pelo contrário. O problema maior reside em “o que vai fazer com que a criança de hoje seja alguém na vida” daqui a uns 20 anos. Hoje temos um excesso de profissionais formados em turismo, advocacia, e porque não dizer médicos (entre outras profissõs “de futuro”), mas onde enfiar tanta gente? Tanta mão de obra faz com que as empresas paguem cada vez menos, e ainda assim estamos falando em um dos piores sistemas educacionais do mundo, no qual qualquer um tira um diploma, mesmo que pelas “vias normais”, mas não sabe o básico de sua própria profissão. Logo, enquanto sobram “engenheiros” que mal sabem projetar e levantar uma casa, falta mão de obra de “baixo nível”, como pedreiros, carpinteiros, encanadores, eletricistas e outros serviços essenciais que estão ficando cada vez mais raros, caros e de baixíssima qualidade (quando acha), porque os mais velhos estão simplesmente abandonando as profissões, ou por serem velhos (mal vistos no mercado de trabalho), ou por estarem doentes ou até mesmo por estarem morrendo sem deixar legado.

Ora, sendo assim, e para não dizerem que apresento problemas e não aponto soluções, minha visão ideal para a situação exposta acima, se fosse possível aplicar na prática, seria:

– Quem tem uma escolaridade considerável, ou seja, pelo menos uma faculdade, deveria ser permitido, se quisesse, criar, ensinar e educar o próprio filho da maneira como quisesse, sem ter a obrigação de coloca-lo na escola, e com isso ensina-lo de acordo com seus próprios critérios, sendo ao mesmo tempo professor e pai/mãe. Disciplinas que ao meu ver são realmente importantes seriam, obviamente, português e matemática (esta última restrita ao que é realmente necessário), geografia, noções básicas de história, assuntos contemporâneos, moral, ética e política. O resto é linguiça para encher os currículos e ficar bonitinho para o MEC na comunidade internacional. Em uma abordagem prática, privar as crianças da escola hoje significa uma maior convivência com os pais (volto a afirmar, quando possível) e menor convivência com as companhias da escola, que atualmente são muito mais prejudiciais do que benéficas, conforme já comentado acima.

– A questão da educação poderia ser direcionada para um futuro que é certo, ou seja, conforme exposto acima, a formação de mão de obra especializada. Direcionamento do que a criança aprende durante a vida para “ser alguém no futuro” já prevendo a situação que o mundo estará vivendo daqui 20 anos, e não esse mundinho de faz-de-conta que é empurrado garganta abaixo da sociedade como se tudo fosse continuar sempre do mesmo jeito. Cursos profissionalizantes, que já existem e vários são de graça, poderiam ser aplicados para uma formação mais específica de forma a preencher a lacuna dos serviços básicos tão necessários hoje, e quem dirá em um futuro próximo. É de consenso geral que um pedreiro que faz reformas em telhados com noções básicas de eletricidade e encanamento ganha hoje tanto quanto, senão mais, do que um engenheiro formado trabalhando CLT para uma empreiteira qualquer. Nesse ponto de vista, qual é o objetivo hoje em criar uma criança para ser um “turismólogo” se amanhã o mercado estará mais do que saturado com esse tipo de profissional (se é que já não está)?

Para finalizar, ainda acho que colocar um filho no mundo, na situação atual, é uma questão de enorme responsabilidade. Minha dica ainda é: se puder, seja ecologicamente correto, não tenha filhos. Se decidir ter, pense bem no mundo no qual esta criança irá viver.

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2 respostas para O futuro da nova geração e o sistema educacional brasileiro

  1. Luci disse:

    Muito interessante seu texto, só não concordo quando você se refere às profissões como pedreiro, carpinteiros, encanadores como profissões de BAIXO NÍVEL…acho que são profissões tão honradas quanto
    qualquer outra , um conselho amigo corrija
    este texto…,

    • Gabera disse:

      Olá.

      Também acho muito honradas, tanto que uso os termos “engenheiros” e “baixo nível” entre aspas, justamente para ressaltar que o sentido da palavra “engenheiro” no texto é relacionado com a incapacidade de alguns em levantar uma casa, enquanto que a mão de obra de “baixo nível” (que não é) eu considero como serviços essenciais. É só uma questão de interpretação de texto.

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