Hipócrita Sociedade Carnavalesca

Esse texto é um pouco antigo; ainda assim faz algum tempo que tenho pensado em publica-lo aqui no blog, pois as ideias continuam válidas. Vamos lá?

Desvirtuamento Grave de Valores – Hipócrita Sociedade Carnavalesca

Não me conformo com estes cidadãos reclamarem do Brasil, pois tudo esta na medida certa! Num país onde suas grandes obras primas são carnaval, futebol e mulher pelada, insiste-se em reclamar! Cada um pensa em mudar a humanidade, mas ninguém pensa em mudar a si mesmo! E toma-lhe exemplos! Não sabem votar. Povo com sua maioria de incultos, adeptos de subculturas, novelas, sambas, carnaval, pizza. Tudo aqui termina em carnaval ou pizza. Como a novela do PAN, com um final misto de carnaval indígena e dragão chinês. Dificilmente caem na real, a exemplo de uma vexaminosa seleção de futebol nesta última copa. O país se iludiu e comprou milhões de televisores numa campanha massificadora idealizada pela mídia quase totalmente subversiva. E o povo parou. Parou para uma Copa, parou na expectativa pelos resultados da eleição presidencial, parou para mais aquele final e início de ano. Parou para o carnaval e parou para o PAN. É comum mal passar do meio de ano e se noticiar escolhas de letras de sambas, vendas de ingressos para o próximo carnaval e sem surpresa alguma; sem concorrência; sem opções; definiram o Brasil para mais outro carnaval internacional, o da Copa de 2014. É vergonhoso uma capital como o Rio sobreviver apenas de turismo e suas explorações. Haja visto enorme esforço para manter imagem de uma cidade maravilhosa a qualquer custo com indignas medidas paliativas de ordem e progresso. Não se tem um título de exportador na indústria, nenhuma eficiência motriz em mão de obra especializada e por aí vai.

Brasil, mostra a sua cara! Gente Estúpida, Gente Hipócrita, já dizia o futuro ex-Ministro Gilberto Gil em sucesso musical. Infelizmente, ser ignorante é ceder controle. E há de se perpetuar com este desplanejamento educacional no país. ¾ da população não é capaz de ler e compreender este texto. Apenas 25% da população brasileira é plenamente alfabetizada. Assim sendo, se não se consegue alfabetizar, como ensinar a pensar? Como formar um cidadão consciente? Vale mais a pena trabalhar em qualquer coisa do que frequentar aulas nas quais não se aprende quase nada. Depois querem consertar este fardo com leis burras como as cotas para pobre e negros nas universidades. Comprovadamente este é o sistema atualizado do governo e da sociedade, onde o pobre fica de fora porque não têm dinheiro para faculdade particular e o rico estuda de graça, perpetuando as desigualdades.

Está aí mais outro carnaval. Novas proles ignorantes se aproximando e futuros filhos bastardos para virarem indíces de Ogns. Brasil está um poço sem fundo. Não tem fundo o poço neste final de túnel. Para relembrar dos mais recentes absurdos, pensava-se ser o fundo do poço aquele homicídio do índio Pataxó em Brasília, onde a defesa dos acusados culminou nas mãos do nada menos que Tomaz Bastos, hoje Ministro de Justiça. Aconteceu de uma família do interior de SP morrer queimada dentro do carro, ônibus no Rio de Janeiro com pessoas dentro morrendo queimadas vivas, criança sendo arrastada pelas ruas do subúrbio e continuamos vislumbrando novos exemplos de Graves Desvirtuamentos de Valores por este país.

Recentemente veicularam reportagens sobre infecções generalizadas nos hospitais do Rio de Janeiro por falta de higiene. Não tinham materiais básicos nem como papel higiênico onde funcionários traziam de casa e do próprio bolso. Noticiou-se também o avançado estado de decomposição do IML – Rio de Janeiro e outros problemas mais de ordem financeiras e má gestão. O que o Governo fez recentemente? Deu R$ 12 milhõezinhos de reais para os confetes de carnaval. Será que é para o carnaval mesmo? Se for, pelo que se noticia, nem faria diferença. Mas que deu, deu. E os professores? E os buracos? E as pontes caídas?

Tenho visto uma sociedade pseudopacifista (consumista) abraçar a Lagoa, vestir-se de branco, outrora de preto, desfilar na Av. Atlântica contra nossas armas, clamar por paz e justiça, criar o estatuto do desarmamento, apoiar campanha contra bebidas ou contra drogas e nada muda. A verdade é que, infelizmente, estas violências só aumentaram e continuará cada vez mais. Há de se perpetuar a ignorância, a subcultura, alienando-se a falta de liberdade intelectual enquanto persistirem com tamanha hipocrisia. Tem-se que acabar com esta idéia de tudo terminar em carnaval. Tem gente aí desta pseudosociedade se mobilizando contra o aquecimento global pensando para 50/100 anos mas não possuem planos nem para seu próprios filhos! Largados aos relentos de cada esquina ou com um pouco mais de oportunidade dirigindo carrões ou em festas raves. A melhor maneira de se ter bons filhos é fazê-los felizes, estudiosos, inteligentes, cultos. Embarreirar esta natalidade desenfreada já é alguma coisa. Não são os grandes planos que dão certo, são os pequenos detalhes (Stephen Kanitz).

Sociedade plenamente vivendo de alarmismos
Aumenta cada vez mais o patamar de doação em campanhas arrecadadoras. Há pouco tempo atrás era de R$ 1 a R$ 5. Hoje já vai de R$ 7 a R$ 30. Mudou alguma coisa com estes milhões arrecadados? A morte e assaltos estão em cada esquina e certamente envolvendo menores. Já chega de campanhas hipócritas de donativos. Este mundo está cheio de caridade e vazio de eficiência. Um mundo que não será salvo pelos caridosos, mas pelos eficientes. Oferecer donativos ou riquezas aos outros não é o maior bem e sim levá-los a descobrirem as suas próprias riquezas pelos seus próprios meios.

Falta coragem para as coisas que podem ser mudadas, falta serenidade para as que não podem e falta sabedoria para distinguir uma coisa da outra. As medidas que estão sendo aplicadas contra esta dura realidade são primitivas, infantis e demagógicas. Se não puderem se destacar pelo talento, que vençam pelos esforços. Mas é preciso AÇÃO VERDADEIRA. Basta de festas, feriadões e futebol.

Texto atribuído a Carlos Galvão

* Tomei a liberdade de corrigir alguns erros no texto, mas mantive os dados e estatísticas da época.

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